Mangás: Uma crítica

 

Akira-GloboNa verdade, este texto iria fazer parte de outro post, mas para não fugir muito do assunto, resolvi postá-lo separado aqui. Quero deixar claro que o que falarei a seguir, se trata do meu ponto de vista pessoal e não de uma verdade absoluta.

Sou um grande admirador dos animês (desenhos animados japoneses), porém de gêneros mais específicos: como ficção científica, cyberpunk, robôs (mechas), etc.  E a grande maioria desses animês, tem sua origem nos mangás (histórias em quadrinhos japonesas). A vantagem dos mangás em relação aos atuais animês, é que eles tem uma narrativa mais direta e não ficam enchendo muita linguiça (os famosos “fillers”). Até, por conta disso, muita gente prefere  ler o mangá a ver a série animada. Eu respeito muito as histórias dos mangás, mas não sou um consumidor deles por alguns motivos:

– Leitura da Direita para Esquerda
Para mim, não interessa se lá no Japão é lido desta forma, eles lêem assim não só mangás, mas até mesmo os livros. Mas no ocidente, lemos da Esquerda para Direita, não vejo a necessidade de mudar isso. Muitos dão a desculpa de que se fizer o espelhamento ( inverter os quadros para leitura ocidental), algumas coisas ficarão estranhas e algumas palavras dentro de ilustrações poderão ficar invertidas. Mas acho que em pleno ano de 2009, essa é uma coisa que pode ser contornada.

– Ausência de cores
Sei que o mangá tradicionalmente é em preto e branco, no máximo com as primeiras páginas em cores. Mas gosto de quadrinhos coloridos, acho que eles ganham muito mais vida. Lembro do exemplo de Akira, que foi lançado primeiro em Preto e Branco e depois colorido (pelos americanos), ficou muito bom e só irei lê-lo se for em cores! (Essa Edição foi lançada no Brasil pela Editora Globo nos anos 90).

– Preço x Qualidade
Não sei se de um tempo pra cá isso mudou, mas sempre achei os preços dos mangás muito elevados e geralmente, esses preços não condizem com a qualidade do produto final. Cansei de ver mangás de amigos meus  com páginas soltas, mesmo eles sendo extremamente cuidadosos. Deixei de comprar o mangá de Gundam Wing (um dos animês que mais gosto) por conta disso, pois a qualidade das edições lançadas pela Panini estavam horríveis, em vários balões de diálogo o texto estava apagado e você não conseguia entender a frase que o personagem estava dizendo!

– Vida Curta.
Muitos mangás estão sendo publicados há mais de 20 anos e ainda estão fazendo novas edições, sem uma periodicidade certa, que demoram muito para serem lançadas. Minha vida é muito curta para acompanhar estes títulos. E também tenho medo do autor morrer e deixar a história em aberto. Pelo mesmo motivo não acompanho animês como: Naruto e One Piece que já passaram dos 200 episódios (muitos deles cheio dos famosos fillers).

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”

Apesar das minhas críticas, tenho que confessar que existem bons mangás e boas edições lançadas no Brasil (mesmo algumas com leitura da Direita para Esquerda). Mas as que mais se destacam para mim, são as edições lançadas antes do “boom” dos mangás no Brasil em 2002 (com a chegada de Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Cia). E o único mangá que tenho, ganhei de um amigo e guardo com muito carinho, se trata de “Gunnm”  (também conhecido como “Alita Battle Angel”), de uma edição lançada pela Opera Graphica.

gunmÉ uma edição extremamente caprichada e com leitura da Esquerda para Direita. A minha está em excelente estado, é uma edição que dá gosto ter. Mas nem tudo são flores: houve um problema com direitos autorais e o mangá que teria 9 volumes ao todo, não passou do primeiro, uma pena!

Porém, a JBC lançou o título oficialmente no Brasil, a qualidade das edições infelizmente estão bem abaixo desta da Opera Graphica, estão com a leitura da Direita para Esquerda… mas irei dar o braço a torcer e ler assim mesmo, pois gosto muito dessa história de temática cyberpunk. E o mesmo amigo que me presenteou com a edição da Opera Graphica, se prontificou a me emprestar a sua coleção da JBC para eu ler. Talvez um dia, eu escreva uma resenha deste mangá aqui!

É isso pessoal, apenas quis dizer o que me incomoda nos mangás, mas apesar dessas características técnicas, existem muitos títulos bons e histórias que valem a pena serem lidas, só espero que as editoras brasileiras se empenhem mais em nos trazer produtos com qualidade.

 


20 respostas para Mangás: Uma crítica

  1. Muitos destes motivos realmente nos fazem desanimar com as publicações de mangá… uma que eu ciolocaria tb é o subito cancelamento de títulos, sem prévia aviso (Loddoss a Dama de Pharis da Panini foi assim…)

    Mas esse é o problema quando algo é massificado: Kenshin, quando foi lançado tinha esses problemas de qualidade, mas era vendido a 2,90! Hoje em dia vc paga R$6,00 pelo mesmo tipo de mangá! Os otakus de hoje aceitam qualquer coisa que é empurrada goela abaixo… Se soubessem como foi difícil conseguir isso, como era foda vc não ter NADA em nossa lingua, só os Gekigás em sebos, seriam um pouco mais exigentes com o que sai (e COMO sai) aqui…

    • FrankCastle disse:

      Quanto ao cancelamento de títulos, concordo! É muito frustrante comprar várias edições e o título ser cancelado pela metade.

  2. Rômulo de Oliveira disse:

    E ai Dieguin… ops, quer dizer, Frank!!!
    Então rapaz, concordo com você na parte de preservação da nossa cultura. Pois realmente é preguiças apenas das editoras essa correção dos mangás. Quanto a preço concordo total, nossa qualquer mangá, lançado pela JBC é uma porcaria. A Conrad fez bons lançamentos, mangá de luxo do Dragon Ball e Vagabond, e um bom lançamento do Blade, pena que ainda não continuou o mangá no Japão. Mas um ponto importante que queria comentar, é que quanto a cores, acho irrelevante, acho que uma historia boa, na forma que ela está. Esse seu ponto de vista levado erroneamente, poderia ser aplicado a falar que um filme de Chaplin seria ruim, só por não ter cores. Mas eu entendi o que você quis dizer. Mesmo assim, acho importante isso não levado em conta. No mais, nada mais. hehehe

    • FrankCastle disse:

      Valeu pelo comentário Rômulo!

      Quanto às cores, é questão de gosto pessoal mesmo. É que gosto muito de quadrinhos coloridos. Quanto a comparação com os filmes do Chaplin, acho diferente: na época que ele fez os filmes dele, ainda não existia Filmes em cores. Então não era uma opção, era o que ele tinha acesso na época. O que ele realmente bateu o pé foi com a questão dos filmes mudos x filmes com som, parece que ele não curtia filmes falados, ele preferia atuar mais com expressões faciais e corporais e é por isso que ele é o que é.

      Enfim, o fato é que eu gosto de ter opção. Acho foda filmes como a Lista de Schindler, mas ele é um filme de época, o diretor quis seguir uma estética. Eu acharia legal se houvessem mangás coloridos no mercado. Não gosto do discurso tipo: “não, não pode ser colorido, senão não é mangá, porque quebra as regras.” Que não seja mangá então, mas que lancem quadrinhos coloridos. Ou então deixem a galera colorir depois, como fizeram com Akira!🙂

  3. Ah, Rômulo, só um adendo: sobre a leitura da direita para a esquerda, pelo menos para Kenshin e Sakura, foi uma das exigências da Shueisha: entre elas, estava a publicação do mangá na íntegra, por isso que começou a R$2,90!

    • FrankCastle disse:

      Se os donos da obra exigem isso, aí não tem como mesmo! Antes isso, do que ler em japonês ou inglês.

      Valeu pelos comentários Diogo!

  4. ricardo disse:

    Eu sempre li os comics americanos, mas quando as revistas começaram a ficar caras demais os mangás eram uma alternativa mais economicamente viável.. daí os preços encareceram e alguns mangás são mais caros do que os comics agora. Mesmo assim ainda não abandonei o hábito de ler mangás

    Me parece que não há tanta interferência editorial numa história de mangá, o autor tem mais liberdade pra fazer uma obra mais autoral e dar o destino que quiser pra suas personagens… e foram mangás as últimas leituras que realmente me deixaram com vontade de ler a próxima edição, e não apenas só pelo fato de continuar na edição seguinte e ter a “obrigação” de ler pra saber o que vai acontecer como ocorre às vezes nos comics.

    • FrankCastle disse:

      O problema é quando essa liberdade é levada ao extremo, aí temos histórias que muitas vezes são mais longas que nossas vidas.

      Acho que o formato de quadrinhos ideal são as Grafic Novels, sejam americanas, européias. E também existem alguns mangás mais curtos, tipo mini-séries em 3 edições, esses são bons, pois fecham a história.

    • Jordan disse:

      Existe uma boa cobrança em cima dos autores sim.
      Contanto que faça um relativo sucesso, eles deixam o autor seguir o rumo dele, mas se não fizer, a editora obriga o cara a finalizar a história do jeito que está e passam para outro.
      E caso a história faça um sucesso MUITO grande, a editora vai querer que o autor tente enrolar um pouco a história. Alguns conseguem fazer direito, outros não.
      E tem os autores que enrolam pq não sabem direito o que vão fazer com a história ainda, tipo Naruto.

      • FrankCastle disse:

        Interessante, eu pensava que a enrolação dentro dos mangás era mais culpa do autor e não da editora!

        Valeu pelos comentários Jordan!

  5. Shinobi disse:

    Hail, bastardz!
    Me lembro muito bem da época em que não havia essa avalanche de mangás nas bancas e comprávamos os gekigás (genero mais adulto de mangá)lançados pela extinta editora Sampa. Eu o Sócio e Ricardo disputávamos na porrada edições de Lobo Solitário, Kamui, Criyng Freeman em sebos e bancas antigas do centro de São Paulo…hj tenho quase todas as edições lançadas por essa editora, menos Mai a garota sensitiva que bati rolo não lembro no quê. Nessa época, usava-se a opção de inverter as imagens, então um samurai destro virava canhoto e vice-versa, e as vezes num mangá com detalhes de técnicas de combate como o lobo Solitário, era necessário tmb adaptar o texto.

  6. Shinobi disse:

    continuando…
    Embora isso não afetasse em nada a nossa empolgação em ler aquelas revistas, hj sei que faz uma certa diferença, mas que com as tecnologias atuais, seria possível inverter as imagens sem maiores danos ao contexto geral da obra. Com relação as cores, posso dizer que me frustro com as edições nacionais devido a qualidade da impressão, como por exemplo no Bastard!! em que todas as páginas possuem uma riqueza enorme de detalhes e retículas e mesmo sem as cores, nos dão uma noção enorme de profundidade e volume (.)(.) se é que me entendem!!! rsrsrsrs, posso falar isso com propriedade, pois tenho a edição japonesa (tokohon) e a nacional para comparar.
    Os japoneses sabem explorar a questão do preto e branco, tornando o negócio bem artísticos com técnicas próprias que hj são referência para nós que gostamos de desenhar e misturar estilos. Enfim, da minha parte, ver um mangá inteiro colorido, seria a mesma coisa que ler um volume de Sin City comprado por outro país e colorido por outro artista…num daria certo…(minha opinião).
    Isso me inspirou cara, acho que vou fazer um post sobre as versões antigas do lobo solictário, já que a nacional da Panini custa os olhos da cara e demorarei uma eternidade para completar (garimpando sebos daqui uns 10 anos por aí)
    Parabéns pelo post inspirador Frank!

    • FrankCastle disse:

      Pode crer, mano! Realmente tem esse problema do lado direito/esquerdo dentro da história.

      Realmente há toda uma tradição envolvendo o negócio. Mas por enquanto, vou continuar sem comprar mangás mesmo.

      Em compensação, peguei algumas Graphic Novels, como a Extremis do Homem de Ferro e a do Halo, sem contar uma do Juiz Dredd colorida, com desenhos do Simon Bisley(vale lembrar que JD, tem tanto preto e branco quanto colorido)

      Valeu pelos comentários, um grande abraço!

  7. Jordan disse:

    Realmente é complicado comprar mangás aqui t_t
    Preços altos, qualidade baixa, e nunca temos a garantia de que a editora irá completar a história.
    Só compro mangás em eventos, onde geralmente tem descontos bons e_e
    A ausência de cores tbm me incomoda as vezes, mas é o estilo de desenho que eles aprenderam a fazer, então deixo passar.
    E sobre mangás que estão sendo publicados há tanto tempo é tenso mesmo. Também evito acompanhar histórias muito longas. Geralmente eu pesquiso mangás completos e etc.

  8. Meu caro, o melhor mangá que eu já li na vida foi o Gunnm pela JBC. Até tenho o da Opera Graphica, mas justamente a leitura “normal” daquela saga me deixou profundamente chateado.

    Mas tem um excelente mangá cujpo animê eu não suporto: Rurouni Kenshin. O mangá é excelente, o segundo melhor que já li, mas a versão animada é um lixo, em todos os sentidos.

    • FrankCastle disse:

      Valeu pelo comentário, Laguna!

      Da mesma forma como você não aceita chamar “Biohazard” de “Resident Evil”, não é mesmo?😉

      Fico feliz em saber que Gunnm é o melhor mangá que leu. Creio então que deva gostar de outras obras do genêro Cyberpunk, já ouvistes falar de “M.D. Geist”? É um dos melhores (na minha opinião) no gênero Cyberpunk/Pós-Apocalíptico:

  9. O problema da versão animada são os fillers… um amal que existe em todos os animes de hoje, e o fato de simplesmente não ter sido produzida a saga da justiça dos homens por conta de baixa audiência…

    A saga de kyoto (Shishio) é muito (mas MUITO) boa, bem fiel ao mangá (e trilha sonora nem se fale!), mas se vc assistiu as versões nacionais, só por Deus… Na Globo teve episódio de Kenshin que durou 10 min! 10 FUCK’n (ou seja como se escreve isso) MINUTOS! Aí não tem quem aguente!

    • FrankCastle disse:

      A Globo é triste para desenhos animados (para tudo na verdade). Nunca gostei de “Samurai X”🙂 , mas sempre ouvia reclamações dos fãs sobre os cortes da Globo!

  10. […] no Volume 7). Admiro muito, mas não sou consumidor de mangás por alguns motivos que já comentei anteriormente.Percebi que, nesta resenha, falei muito pouco das partes de ação da série, mas é difícil de […]

  11. Doug! disse:

    Muito interessante a sua visão sobre o mangá, não sei se tenho algo a acrescentar a tantos comentários mas deixarei a minha opinião!
    Sobre a leitura ser da direita para esquerda, não sei se seria uma boa idéia espelhar os mangás, eu não gostaria de fazer uma historia de baixo para cima e depois uma editora inverter esta historia. Se o autor fez daquele jeito, se o cara pensou e repensou tudo assim deixa… eu não me encomodo com isso….mas entendo o seu lado!

    Mangás com historias infinitas, isso sim é horrivel, atualmente procuro por histórias curtas se não fechadas.Faz muito tempo que não compro mangás, mas a pouco tempo atrás comprei um mangá que me chamou atenção pela capa simples e não muito chamativa (pelos otakus) comprei este mangá misterioso que me cativou no primeiro volume, já que a historia do mesmo tem uma temática muito diferente dos convencionais mangás shonen do tipo naruto e cia.

    Espero um dia lhe mostrar esta historia fantástica e com belissimos desenhos.

    Parabéns pelo post e espero não ter falado muita merda hihihi

    Aqui está uma resenha sobre o mangá Homunculos http://pt.wikipedia.org/wiki/Homunculus_(mang%C3%A1)

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