O fascinante mundo dos Livros-Jogos


Fala aí galera! Mais uma vez vou falar de livros, mas desta vez de um tipo de livro que você não só lê, como também interage: Os livros-jogos!

Em meados de 1996, vi um colega de escola com um livro pequeno na mão, perguntei sobre o que era, ele me disse “É um livro de RPG” e me explicou por cima do que se tratava. Em 1998, este mesmo colega me emprestou o livro-jogo chamado “Robô Comando”. Esse foi o meu primeiro contato com a coleção “Aventuras Fantásticas” (Fighting Fantasy no original), que foi publicada no Brasil pela editora Marques Saraiva entre o final dos anos 80 e começo dos 90.

Para jogar, além do livro, você precisa de: 2 dados, lápis e borracha. É recomendável também uma folha de papel para fazer anotações. Apesar de existirem vários  títulos das  mais variadas temáticas, a mecânica geralmente é a mesma:

– Você lê a introdução da história

– Lança os dados e define os atributos de seu personagem como: Habilidade, Energia e Sorte.

– Lê algumas instruções e regras sobre as situações que poderá encontrar

– E começa o jogo!

Vale lembrar que não se trata de um livro linear, para deixar mais interessante e até mesmo evitar “trapaças”,  o andamento da história e do jogo está espalhado por páginas aleatórias, mas ao final de cada trecho, você terá que fazer uma escolha onde serão indicadas as páginas que você deve ir (na maioria das vezes, de acordo com a decisão tomada).

Exemplo do primeiro Livro-Jogo da série Aventuras Fantásticas “A Cidadela do Caos” :

“A porta abre e uma criatura grande e abrutalhada sai. Possui um chifre pontudo no meio da testa, e sua pele parece ser recoberta de armadura. Rosna para saber o que você quer e exige a senha antes de deixar que você entre. Você sabe a senha?  Se souber, vá para 273. Se não, você terá que forçar a sua entrada (vá para 198)”

Em outras situações, você também enfrenta inimigos, onde deve anotar seus atributos e lançar dados, tanto para seus ataques, quando para os deles. Assim como em “War”, se trata de um misto de estratégia e sorte. O que aumenta o fator replay, é que a cada vez que joga, você pode tomar decisões diferentes, seguir por caminhos diferentes e em alguns casos até fazer finais diferentes!

A maior parte do livro é composta por textos. Mas vários trechos possuem ilustrações. O que ajuda a ambientar melhor, mas não deixa de estimular a imaginação do leitor-jogador.

Depois de jogar “Robô Comando”, fiquei fascinado e corri atrás de mais livros-jogos mas, para minha tristeza, estavam fora de catálogo e só eram encontrados em sebos ou em Livrarias especializadas como a Devir.

Felizmente consegui achar vários títulos e os tenho até hoje, os meus favoritos são: “Robô Comando” (robôs, claro!), “A Espada do Samurai”, “Guerreiro das Estradas” (obviamente inspirado em “Mad Max”) e “Planeta Rebelde” (este último nunca consegui terminar, pois era necessário decifrar um código. E para isso tinha que converter números decimais para binários ou algo assim… nunca fui um gênio da matemática, mas hoje em dia com a internet, devo conseguir fazer a conversão, hehe).

Vejo estes livros também como uma ótima forma de incentivar jovens e crianças à leitura. Pois além de ler, poderiam se motivar e começar a criar suas próprias histórias interativas (olhem aí, professores!). E outra coisa que é interessante notar: estes livros trazem um conceito que hoje faz parte do nosso dia-a-dia: o Hyperlink!

Para minha alegria, vi que a Editora Jambô tomou uma iniciativa louvável: está lançando novamente os títulos da coleção Aventuras Fantásticas e por preços bem convidativos.  Até o momento da publicação deste post, são 8 títulos, mas vale a pena visitar o fórum deles, pois lá é possível dar sugestão de qual material você quer ver publicado.

Outra recomendação, é o blog “Aventuras Fantásticas” , Lá você poderá encontrar informações sobre todos os livros da coleção lançados no Brasil. Vale a pena visitar!

Não vou me alongar mais, se você já conhecia estes livros, espero que o post tenha sido agradável e nostálgico. E para quem não conhece, vale a pena correr atrás do material. Até a próxima e visitem também o blog Mundo Robô, onde fiz um post falando mais sobre “Robô Comando”!

8 respostas para O fascinante mundo dos Livros-Jogos

  1. Rômulo de Oliveira disse:

    Interessante o post camarada Frank Castle. Já ouvi falar, mas nunca tive a oportunidade de ler um livro interativo. Não sei hoje em dia conseguiria me identificar com este tipo de livro, já que tempo, e paciência são meio complicados.
    Achei interessante o fato do seu amigo, só 2 anos depois te emprestar um livro desses. Teve de ralar para ganhar a confiança da figura ai ein! hehehe
    Abraço.

    • FrankCastle disse:

      Com nossa tecnologia e estilo de vida atuais, é bem difícil mesmo ter paciência para ler/jogar um livro desses. Mas na época pré-internet onde o consumo de informações era mais “lento” e qualitativo, era uma boa pedida.

      Sobre o empréstimo do livro do meu colega, é que em 1998 eu estudei na mesma sala dele, aí ele mesmo me ofereceu o livro, na primeira ocasião ele estava com um título mais medieval que não lembro o nome.🙂

      Valeu pelo comentário Rômulo!

  2. Oderlan F. Costa disse:

    Saudações.
    Fiquei sabendo a pouquíssimo tempo sobre estes livros, o que me levou a pesquisar sobre foi o livro “OWNED – um novo jogador” criado por uma equipe bem grande, é um livro que tem romance, fantasia, aventuras… Gostei muito dele e fiz uma pesquisa para ver se encontrava afins, foi quando descobri a Jambo e posteriormente este post, muito bom por sinal. se vc ainda não leu eu recomendo.
    Abrços!

  3. Rafael Mattos disse:

    Gostava muito desse tipo de livro..
    seria muito legal se eles fossem recomendados nas escolas.

    • FrankCastle disse:

      Verdade! Ajudariam muito a tirar o trauma da leitura obrigatória apenas de títulos que não são tão interessantes aos mais jovens!

  4. Rodrigo Mendes Guterres disse:

    FrankCastle, Me chamo Rodrigo Guterres e tenho os livros jogos das Aventuras Fantásticas impressos pela Editora Saraiva do “A Cidadela do Caos” até “As Cavernas da Feiticeira da Neve”. Além desses, que foram minha “porta de entrada” no prazer de ler, foram também minha “porta de entrada” para o fantástico universo os RPG, por isso também tenho “RPG”, “O Saqueador de Charadas”, “Dungeoneer”, “Blacksand”, “Titan” e “Out os the Pit”. Todos são RPGs impressos pela Editora Marquês Saraiva das Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy).

    • FrankCastle disse:

      Olá Rodrigo!

      Bem legal! O mais bacana desses livros-jogos, em minha opinião, é jogá-los novamente e poder fazer caminhos diferentes, o que traz sempre algo novo. Lembro-me que em “Robô Comando” era possível fazer mais de um final bem sucedido. Um deles, era de forma mais sútil, outro de forma mais bruta, com mais ação.

      Bem legal essa época em que Marquês Saraiva publicava estes títulos! Até comprei algumas publicações de RPG (Mini GURPS, First Quest, entre outros) mas acabei nunca conseguindo formar um grupo legal de pessoas que curtissem, então minha maior experiência foi com os livros jogos mesmo. De lá para cá, só consumi RPG nos videogames mesmo.

      Obrigado pelo comentário! Parei de escrever no blog, mas sempre que alguém comenta, acompanho aqui. Um abraço!

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